
Silvia Chimello
Um grupo de pais atípicos e professores de Mogi das Cruzes e Suzano realizará uma passeata nesta quarta-feira (22) para pedir a manutenção dos educadores que atendem alunos com deficiência na rede pública estadual da região. Eles afirmam que muitos profissionais estão sendo demitidos e temem que seus filhos fiquem sem assistência nas escolas.
A Secretaria de Educação do Estado nega as informações e declara que a meta é ampliar o atendimento aos alunos neste ano. No entanto, muitas mães contestam essa posição e relatam que diversas demissões já ocorreram.
A manifestação em Mogi das Cruzes está marcada para às 10 horas, com uma caminhada que sairá da Praça do Rosário em direção à sede da Diretoria de Ensino. Em Suzano, o grupo se reunirá no mesmo horário, no Parque Max Feffer, e também seguirá em passeata até a Diretoria de Ensino local.
Andrea Oliveira Rodrigues, mãe atípica de gêmeas de 12 anos com deficiência, matriculadas na Escola Aprígio de Oliveira, expressou grande preocupação com a situação. “Depois de muita luta, consegui uma liminar para garantir que minhas filhas pudessem estudar. Elas começaram a frequentar a escola no segundo semestre do ano passado, com a ajuda de professores auxiliares, e em outubro passaram a receber o suporte de um educador inclusivo. Estávamos muito felizes com o trabalho desse professor dedicado, mas ele foi demitido na semana passada. Apesar da liminar, o governo o desligou. Chorei muito. Foram muitas demissões, e precisamos nos unir para impedir que isso continue”, relatou Andrea.
Vídeos com depoimentos de mães estão circulando nas redes sociais e em grupos de WhatsApp. Elas afirmam que houve uma demissão em massa desses profissionais no último dia 17. As mães mencionam que, além das liminares, contam com o respaldo da Lei Federal nº 22.764, de autoria da deputada Berenice Viana, e pedem apoio do governador do Estado, Tarcísio de Freitas, para manter esses educadores nas escolas estaduais.
A Secretaria de Educação, no entanto, nega totalmente as alegações e informa que irá ampliar os investimentos e o número de atendimentos para estudantes elegíveis aos serviços de educação inclusiva.
“Não procede a informação de que profissionais de apoio serão desligados das escolas da rede estadual de São Paulo. Os professores auxiliares que não forem reconduzidos para a função de apoio poderão atribuir aulas conforme o cronograma e critérios estabelecidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para todo o corpo docente, nas Diretorias de Ensino ou como eventuais na rede. A meta da Seduc-SP é dobrar o número de atendimentos, passando dos atuais nove mil para 20 mil alunos, com um investimento de R$ 135 milhões”, declarou a pasta.
Em nota enviada à reportagem da Vanguarda, a Seduc informou que o atendimento dos Profissionais de Apoio Escolar para Atividades Escolares (PAE-AEs) será ajustado conforme o nível de suporte necessário para cada estudante, e que alunos com menor nível de suporte terão profissionais compartilhados, enquanto aqueles com maior necessidade continuarão com apoio exclusivo.
A Secretaria também destacou que, em dois anos, ampliou de 20 mil para 29 mil o número de profissionais dedicados ao atendimento de alunos com deficiência. Esclarece que neste ano letivo, mil novos professores já estarão nas salas de aula e que, ainda no primeiro trimestre, a rede contará com 500 estagiários para apoiar a educação dos alunos com deficiência, especialmente na adaptação de materiais e no suporte aos estudantes. No segundo semestre, mais três mil profissionais de apoio reforçarão o atendimento.
Leia a nota da Seduc na íntegra:
“Não procede a informação que profissionais de apoio serão desligados de escolas da rede estadual de São Paulo. Os professores auxiliares não reconduzidos para a função de profissional de apoio poderão atribuir aulas, conforme cronograma e critérios estabelecidos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) para todo o corpo docente, na Diretoria de Ensino ou mesmo para atuarem como eventuais na rede.














