
Por Sabrina Pacca
Quem precisa usar o Terminal Rodoviário Geraldo Scavone, em Mogi das Cruzes, especialmente durante à noite, reclama das más condições estruturais e falta de segurança. O local, que é administrado desde 2018 pela Atlântica Construções, Comércio e Serviços (vencedora da licitação feita pela Prefeitura, na época), apresenta o forro de PVC caindo em várias partes, pendurado mesmo; iluminação insuficiente; espaço mal conservado e ainda serve de abrigo para as pessoas em situação de vulnerabilidade social que dormem no chão ou nas cadeiras.

Os usuários fazem duras críticas à empresa e reclamam do mau estado de conservação de um equipamento que deveria oferecer conforto e segurança para os passageiros e funcionários. ´Esse lugar está abandonado. Eu estava esperando meu filho chegar de São Paulo e fiquei observando. Coisa horrorosa. Tudo quebrado e virou depósito de moradores de rua. É assustador ficar aqui à noite. Mogi tem quase 500 mil habitantes e não tem uma rodoviária decente`, lamentou o aposentado Sérgio Ventura.
Já o motorista Antonio Belizaro Filho ressaltou que teme que o forro da rodoviária caia sob as cabeças dos passageiros. ´Está caindo, na verdade, e vai ser questão de tempo para machucar alguém`, destacou.
´Toda vez que eu tenho que usar a rodoviária evito chegar tarde em Mogi, mas, às vezes, acontece e morro de medo. Tem muito morador de rua que usa droga e a gente se sente ameaçada. Eles deixam as cadeiras sujas. Jogam papelão e coisas no chão. Além disso, acho o entorno muito mal iluminado. É um local sombrio`, ressaltou a dona de casa, Angela Oliveira Gomes.
O contrato entre Prefeitura e Atlântica prevê que o prazo de concessão é de 20 anos, terminando somente em 2038, mas a empresa tinha a obrigação contratual de fazer a manutenção, além das melhorias das instalações, revitalização da pavimentação e aquisição de equipamentos. Os serviços de melhoria e modernização eram previstos no saguão (balcão de informações, guichês, área de espera, salas comerciais, etc), plataformas, áreas de embarque, banheiros, cobertura e pavimentação das áreas de circulação dos ônibus e estacionamento e o prazo para execução era de um ano e meio, na ocasião.

A reportagem da Vanguarda procurou ouvir a empresa, que mandou uma nota oficial:
´Com relação aos questionamentos enviados, informamos que as obras no terminal rodoviário foram suspensas por ordem judicial, onde a ação se estendeu até o final do ano de 2024, onde houve decisão favorável a Concessionaria e Prefeitura Municipal. A Concessionaria já realizou uma reunião, muito produtiva, junto a nova administração para definir um novo cronograma e pretende retomar as atividades em breve. Com relação aos moradores em situação de rua, a Concessionaria informa que semanalmente realiza abordagens juntamente com equipe da Secretaria de Assistência Social que vem prestando um apoio permanente. Há um cronograma anual de manutenção estabelecido com um planejamento detalhado para garantir que todas as atividades sejam executadas de forma eficiente e dentro dos prazos previstos. Quanto às questões relacionadas ao forro, essas são situações pontuais que ocorrem principalmente em dias de fortes rajadas de vento. Estamos monitorando constantemente essas ocorrências e adotando as medidas necessárias para solucionar rapidamente qualquer incidente`, diz a empresa.
Também procuramos ouvir a Administração Municipal que, em nota, afirmou que ´a nova gestão municipal está realizando a revisão de todos os contratos públicos vigentes` e que ´o contrato de concessão do Terminal Rodoviário Geraldo Scavone faz parte deste trabalho, em que são verificadas as condições do espaço, obrigações e providências que precisam ser adotadas. Após o término desta análise, serão informados os programas e ações que serão adotados pela atual administração`.














