
Por Sabrina Pacca
O prefeito Caio Cunha (Podemos) encerra seu mandato deixando Mogi das Cruzes em péssima situação, em todos os setores. Nesta terça-feira (17), a comissão de transição de governo, liderada pela prefeita eleita, Mara Bertaiolli (PL), e seu vice, Téo Cusatis, além de profissionais já definidos para assumirem os comandos de secretarias, mostrou, em audiência na Câmara Municipal, um raio-x da Cidade e, em um diagnóstico preliminar e amenizado, podemos dizer que todos os seus “ossos” estão quebrados e que Mogi terá de ficar um bom tempo na UTI.
Os dados conseguidos pela comissão vão até 30 de novembro deste ano e desvendam somente a ponta do iceberg, que deve ser muito maior, submerso não em águas cristalinas, mas, sim, na lama criada pelo atual prefeito e seus assessores. Ao longo da semana, a reportagem da Vanguarda irá detalhar os inúmeros problemas encontrados em todas as áreas, em matérias individuais, por assunto. Neste texto, vamos contar aos nossos leitores um resumo deste drama.
Para se ter uma ideia, o déficit em caixa, até 30/11/2024 é de R$ 207 milhões e a dívida consolidada do Município é de R$ 473 milhões. Caio deixou, para o orçamento do ano que vem, R$ 1,00 (um real) para o pagamento dos subsídios do transporte coletivo. Neste ano, R$ 15 milhões foram gastos com o pagamento desse subsídio, que, diga-se de passagem, é pago pelo contribuinte para que os usuários de ônibus possam comprar uma passagem por R$ 5,00, mas que na verdade custa aos cofres públicos R$ 6,00 – uma falsa sensação de que o valor das passagens não aumenta.
Na Saúde, baratas em unidade básica, vazamentos em paredes, prédios em péssimo estado de conservação e, mais grave ainda, 45,4 mil pessoas na fila de espera por uma consulta e tempo de espera médio de 586 dias e 36 mil solicitações de exames, com tempo médio de espera de 160 dias, fora os contratos suspeitos ou em vias de serem encerrados sem que a gestão atual tivesse se preocupado com isso.
Na Educação, 216 classes sem professor, 33 escolas com falta de vice-diretor e 42 unidades educacionais com falta de coordenador. Há, atualmente, quase 3 mil crianças de 0 a 3 anos inscritas e aguardando uma vaga em creche. Também é muito preocupante a ausência de estoque de gêneros alimentícios para 2025 e os editais para aquisição de uniformes foram feitos tardiamente, de forma errônea, sendo suspensos pelo Tribunal de Contas. Além disso, unidades como a Escola Viva Jundiapeba, que foi inaugurada às pressas por Cunha para que ele tirasse proveito político do evento, já apresentam problemas estruturais e a tão famosa piscina nunca pôde ser usada, a não ser na inauguração, quando o prefeito deu um mergulho e já tirou do lugar as pastilhas recém coladas.
Os problemas não acabam e encontram-se em todos os setores. Desde agosto, Caio não faz o pagamento da contribuição ao Instituto de Previdência Municipal (Iprem). Com relação às obras, encontram-se sob a gestão da Secretaria de Infraestrutura Urbana 35 contratos, sendo que 12 estão parados ou em ritmo lento. As obras do Corredor Nordeste, que tem financiamento internacional no valor de R$ 69,4 milhões e contrapartida de R$ 18,4 milhões já chegaram a 4 anos desde o início dos trabalhos e somente 30% foi feito, até agora.
Com relação à Segurança, a situação é crítica demais, a ponto da Cidade poder ficar sem comunicação, sem sistema operacional no Centro de Operações Integradas (COI), sem efetivo nas ruas e sem viaturas. Há uma crise também na Cultura, Habitação, Assistência Social, Agricultura, Desenvolvimento Econômico, Esportes, Meio Ambiente e Mobilidade.
Luz no fim do túnel

A prefeita eleita, Mara Bertaiolli / Foto: Diego Barbieri / Divulgação CMMC
Mesmo assim, Mara Bertaiolli se mantém otimista e disse que ela e sua equipe não vão medir esforços para sanar os problemas encontrados e reconstruir Mogi das Cruzes. Já Teo Cusatis salienta que, após a posse, um cenário mais completo deverá ser descoberto e que, então, durante os 100 primeiros dias, poderá se conhecer quais serão os “remédios” indicados para cada “doença” encontrada pela nova gestão.
Comissionados
A comissão de transição solicitou ao prefeito Caio Cunha que exonere todos os funcionários comissionados colocados, por ele, na Prefeitura Municipal. Alguns poderão até ser aproveitados, se comprovado que fazem um bom trabalho, mas caberá à Mara e Téo essa escolha, ainda mais depois que o Tribunal de Justiça declarou inconstitucionais os cargos de confiança criados por Caio em 2023.

O vice-prefeito eleito, Téo Cusatis / Foto: Diego Barbieri / Divulgação














