
Por Sabrina Pacca
A percepção de aumento da presença de pessoas em situação de rua em Mogi das Cruzes tem sido tema recorrente nas conversas de moradores e comerciantes. Pontos como a área central, Avenida Júlio Simões e as áreas próximas às estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em Braz Cubas e Jundiapeba concentram relatos de aglomerações, consumo de drogas e sujeira nas portas de estabelecimentos comerciais.
Comerciantes afirmam que enfrentam diariamente problemas como lixo espalhado, fezes e urina nas calçadas, além da insegurança que, segundo eles, afasta clientes e prejudica o movimento. “A gente limpa de manhã e, no dia seguinte, está tudo igual”, relatou um lojista da área central à reportagem da Vanguarda Alto Tietê.
A população se incomoda com a presença dessas pessoas — muitos simplesmente ignoram —, mas poucos também refletem sobre os direitos humanos envolvidos e a complexidade social do problema.
Diante da repercussão, a secretária municipal de Assistência Social de Mogi das Cruzes, Daniela Mariano, rebate a percepção de crescimento no número de pessoas em situação de rua. Segundo ela, não houve aumento no contingente, mas sim uma mudança nos locais de permanência, o que pode ter provocado a sensação de agravamento.
“Temos trabalhado com duas estatísticas. A oficial aponta 411 pessoas cadastradas no Cadastro Único, número autodeclaratório utilizado pelo governo federal. Já no Centro Pop, atendemos atualmente 287 pessoas em situação de rua, cadastradas, referenciadas e acompanhadas pelo nosso sistema”, explicou.
Um dado que chama a atenção, segundo a secretária, é o perfil dessa população. De acordo com levantamento da Pasta, 53% das pessoas em situação de rua em Mogi apresentam algum agravante psíquico. A dependência química pode ser um dos fatores desencadeadores, mas há também casos de pessoas egressas de internações psiquiátricas que acabam nas ruas.
“Estamos realizando estudos mais aprofundados para compreender esse público e buscar soluções mais eficazes”, afirmou.
Daniela destaca que a Secretaria tem intensificado as abordagens sociais por meio do Centro Pop, com acompanhamento psicossocial contínuo. O trabalho inclui encaminhamento para acolhimento institucional, tentativa de recâmbio familiar e reinserção social. Segundo ela, há casos de sucesso, mas também reincidência.
“Algumas pessoas ficam um período fora das ruas e retornam. Mas também temos histórias muito positivas de quem conseguiu reorganizar a vida”, disse.
Outro ponto levantado pela secretária é que Mogi recebe pessoas em situação de rua de outros municípios. “Dentro do Alto Tietê, somos o único município que oferece todos os serviços voltados a esse público, como abordagem social, Centro Pop e acolhimento. Isso acaba atraindo pessoas de cidades vizinhas”, declarou.













