
Por Maria Salas
A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que, neste momento, não há risco de desabastecimento de água para a população, apesar do cenário de alerta provocado pelas altas temperaturas, aumento do consumo e redução dos níveis dos reservatórios. A afirmação foi feita durante a cerimônia de apresentação do Comitê de Crise Hídrica e Monitoramento de Eventos Climáticos, realizada na tarde desta segunda-feira (5).
Na ocasião, a prefeita Mara Bertaiolli assinou o decreto que institui o comitê ao lado do vice-prefeito, Téo Cusatis, do diretor-geral do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), José Luiz Furtado, e do vereador Francimário Vieira de Macedo, o Farofa, presidente da Câmara de Mogi, na presença dos secretários municipais, demais vereadores, convidados e imprensa.
O Comitê, presidido por Eli Nepomuceno, chefe de gabinete do vice-prefeito, Téo Cusatis, reúne representantes de praticamente todas as secretarias municipais, além da Defesa Civil, Fundo Social e do próprio Semae, com o objetivo de integrar dados, planejar ações e monitorar continuamente a situação hídrica e climática da Cidade.
O decreto leva em consideração fatores como o aumento de eventos climáticos extremos, ondas de calor, estiagens prolongadas e a elevação expressiva do consumo de água, que chegou a crescer cerca de 60% em dias de altas temperaturas. Também pesa o fato de o Município apresentar índice de estresse hídrico considerado alto, além da queda no volume útil do Sistema Alto Tietê ao longo do último ano. Essas informações foram apresentadas por meio de slides.
O Comitê de Crise Hídrica terá a atribuição de analisar relatórios diários, semanais e mensais, avaliar dados técnicos, propor parcerias e adotar medidas que garantam o abastecimento, a economia de água e a proteção da população diante de temperaturas extremas. As ações, segundo a prefeita, não são estáticas e poderão ser ajustadas conforme a evolução do cenário e as previsões meteorológicas. “Estamos agindo com responsabilidade, planejamento e transparência para enfrentar um cenário desafiador, que exige união de esforços e decisões firmes. A criação do Comitê de Crise Hídrica nos permite monitorar a situação em tempo real, integrar ações e proteger a população de Mogi diante dos possíveis impactos das mudanças climáticas e da escassez de água”, destacou Mara Bertaiolli.
Durante o evento, já na coletiva de imprensa, o diretor-geral do Semae destacou que Mogi se encontra em estado de alerta, e não de crise, ressaltando que a água é um recurso finito e que o cenário exige planejamento e conscientização. “Hoje não temos risco de falta de água para a população de Mogi das Cruzes, diferentemente do que ocorre em outras cidades do Alto Tietê. Mas isso só é possível com monitoramento constante e uso consciente”, afirmou.
Entre as medidas previstas estão campanhas de conscientização sobre o uso racional da água, elaboração de um plano de contingência hídrica, monitoramento diário dos indicadores climáticos e hídricos, além de ações voltadas à proteção de grupos mais vulneráveis ao calor intenso.
A prefeita Mara reforça que o envolvimento de todas as secretarias e da população é fundamental para garantir a segurança hídrica do município e evitar situações mais graves no futuro. O Comitê de Crise Hídrica e Monitoramento de Eventos Climáticos, instituído por este decreto, perdurará pelo prazo de 90 (noventa) dias, podendo ser prorrogado por uma vez.
“Temos a redução significativa do volume útil de água no Sistema Alto Tietê, que abastece a região, evidenciada pela queda do nível de 38,9% em dezembro de 2024 para 21% nesta segunda-feira (5). Ao mesmo tempo, o consumo de água em Mogi aumentou cerca de 60% nas últimas semanas. Diante desse cenário, a Prefeitura, em conjunto com o Semae, Defesa Civil e secretarias municipais, monitora a situação e concentra ações em diversas áreas para reduzir os impactos causados pela
escassez de água”, explicou o vice-prefeito, Téo Cusatis.
Notificações
Além das ações operacionais, a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio do Procon Municipal, também notificou a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), solicitando esclarecimentos sobre as medidas adotadas pela concessionária diante da crise hídrica que atinge diversos municípios paulistas. O documento estabelece prazo de 10 dias para resposta sobre critérios técnicos, planejamento específico para o município, monitoramento do abastecimento e canais oficiais de comunicação à população.
O Semae também encaminhou notificação formal à Sabesp, solicitando especial atenção à manutenção da pressão da rede e aos níveis do Rio Tietê, que se encontram próximos ao limite mínimo de segurança para captação, reforçando a necessidade de ações coordenadas para evitar a decretação de racionamento no município.

















