
Por Silvia Chimello
Mogi das Cruzes projeta até R$ 2 bilhões em novos investimentos privados que podem ser implantados na Cidade no próximo ano, com impacto direto na geração de empregos, ampliação da renda e fortalecimento da economia local.
O volume inclui projetos em negociação com empresas dos setores industrial, logístico, metalúrgico e de serviços, além de investimentos já confirmados, como a unidade da Coca-Cola, que sozinha representa cerca de R$ 600 milhões em aportes para o município.
Os dados fazem parte do balanço apresentado pelo secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Cláudio Costa, ao analisar o primeiro ano de governo da prefeita Mara Bertaiolli (PL) e as expectativas para 2026.
Segundo Cláudio Costa, Mogi das Cruzes registrou um avanço expressivo no número de estabelecimentos formais ao longo do último ano. O município saiu de cerca de 63 mil empresas formalizadas em janeiro, no início da atual gestão, para aproximadamente 76 mil ao final deste ano, um crescimento de 13 mil novos registros.
Desse total, a cidade reúne atualmente cerca de 4,9 mil indústrias, 16 mil estabelecimentos comerciais, aproximadamente 46 mil empresas de serviços, mais de 5 mil ligadas à construção civil e cerca de 3,5 mil na agroindústria.
O desempenho, como destaca o secretário, também se reflete no mercado de trabalho, com saldo positivo de quase 3 mil empregos formais no ano e cerca de 123 mil pessoas empregadas com carteira assinada no município.
Investimentos
Para 2026, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico trabalha com uma carteira de projetos que, somados, chegam a cerca de R$ 2 bilhões em investimentos em negociação, incluindo o investimento já confirmado da Coca-Cola. O adjunto explica que os projetos seguem sob confidencialidade, mas adianta que os planos envolvem uma grande demanda por áreas industriais e podem gerar mais de 2 mil empregos diretos.
Além das negociações para atrair novas empresas para a cidade, Cláudio Costa ressalta que existe também um trabalho voltado à preservação e ampliação dos investimentos das empresas já instaladas em Mogi. A estratégia, segundo ele, buscou reverter um movimento de desinvestimento registrado nos últimos anos e criar um ambiente mais competitivo.

Secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Cláudio Costa (Foto: Reprodução)
“Nós nos dedicamos a discutir com as grandes empresas da cidade para entender as dificuldades e o plano de investimentos em cada uma delas. Antes de prospectar lá fora, a gente não quer perder o que a gente tem aqui dentro. Observamos que, nos últimos anos, houve um desinvestimento na cidade, por isso começamos a fazer um trabalho para entender o que estava acontecendo e, com base nessas discussões, passamos a gerenciar esse volume de R$ 2 bilhões para que ele se concretize”, explica.
Logística
A reforma tributária promovida pelo Governo Federal, que entrará em vigor nos próximos anos, também foi citada pelo adjunto. Ele lembra que haverá mudança na forma de arrecadação, já que os produtos passarão a ser tributados no local de consumo. “Então, quanto mais próximo dos grandes centros, melhor é ter uma boa logística”, avalia.
Segundo ele, a alça norte do Rodoanel deve potencializar significativamente o setor logístico na cidade. A estrutura, inaugurada pelo governo do Estado no fim deste ano, é apontada como um divisor de águas para Mogi das Cruzes, que já discute a vinda de grandes empresas do segmento.
Costa destaca ainda a proximidade com a capital, com o Aeroporto Internacional de Guarulhos, o acesso ao Porto de Santos e aos principais corredores rodoviários, fatores que colocam o município em posição estratégica para operações de “última milha”, etapa final da entrega de produtos do centro de distribuição até o consumidor.
Outra vantagem é a disponibilidade de áreas. Regiões como a Avenida das Orquídeas, César de Souza, Braz Cubas e os distritos industriais estão no radar para receber novos empreendimentos.
“Nesse sentido, a cidade tem algo em torno de três milhões de metros quadrados disponíveis, e ainda estamos buscando essas ampliações”, afirma o secretário, citando obras viárias que devem contribuir para a logística, como o Corredor Nordeste, em César de Souza, integrante do programa Integra Mogi.
De acordo com Costa, os projetos em negociação abrangem setores como metalurgia, máquinas pesadas, construção civil, logística, alimentação, engenharia e desenvolvimento de produtos. Ele observa que, além da forte tradição metalúrgica, Mogi vem se destacando em áreas como o setor alimentício e atividades de maior valor agregado, como engenharia e desenvolvimento tecnológico.
Emprego e renda
Além da criação de vagas, o secretário adjunto destaca ações voltadas à ampliação da renda e à qualificação da mão de obra local, diante da carência de profissionais especializados. Programas de requalificação vêm sendo estruturados, com foco especial em trabalhadores acima de 25 anos.
“Quando conversamos com empresas que têm planos de investimento, já sabemos o tipo de mão de obra necessária e começamos a trabalhar nesse sentido. Hoje temos cerca de 900 vagas abertas e já estamos desenvolvendo programas de formação para atender essa demanda e organizar essa distribuição geracional. Muitos jovens hoje não querem entrar para trabalhar em indústria, eles querem ir para a área de tecnologia, por exemplo. Mas temos que atender a demanda das empresas, por isso é importante começar a qualificar a mão-de-obra acima de 25 anos para atender as várias camadas das indústrias”, avalia.
Ele relata ainda parcerias com instituições como Senai e Etec, com cursos de curta duração voltados à rápida inserção no mercado e ao fortalecimento da economia local.
Apoio ao empresário
Para atrair novos investimentos, a Secretaria aposta em uma estratégia personalizada de apresentação do município, com estudos técnicos e dados sobre mercado de trabalho, logística, custos e infraestrutura. A atuação integrada com outras pastas busca agilizar licenciamentos e processos burocráticos.
Empresas que se instalam na cidade contam com programas de incentivo, como o Pró Mais, além de apoio em mutirões de emprego e acesso a linhas de crédito, como Banco do Povo e Desenvolve SP.
“A gente praticamente abraça os empresários. Ajudamos em toda a parte jurídica, licenciamento legal com bastante agilidade. Se vai construir uma planta nova, pegamos todas as secretarias envolvidas e fazemos toda uma discussão em cima disso. Se precisar da etapa que tem que contratar mão de obra, nós oferecemos todas as instalações, toda a estrutura da Secretaria de Desenvolvimento, mutirão de emprego. E preferencialmente a gente discute para que os investimentos sejam feitos com empresas de serviços local”, detalha o secretário
Expectativas para 2026
Mesmo diante de um cenário econômico global marcado por incertezas, a avaliação é de otimismo moderado. A expectativa é de continuidade do crescimento econômico, avanço no PIB municipal, geração de empregos e consolidação de Mogi das Cruzes como polo regional de desenvolvimento.














