
Silvia Chimello
O presidente da Câmara de Mogi das Cruzes, Francimário Vieira de Macedo – Farofa (PL), pretende se reunir nos próximos dias com deputados estaduais do Alto Tietê para discutir o pedágio que será implantado nas principais rodovias que cortam o município: a Mogi-Dutra e a Mogi-Bertioga.
Ele disse que já solicitou uma reunião com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, e com o deputado Marcos Damásio, para buscar uma agenda com representantes do Governo do Estado. O objetivo é tentar solicitar a isenção da cobrança para veículos com placas de Mogi das Cruzes, ou, ao menos, para moradores de bairros como Divisa e Taboão, que teriam de pagar para circular dentro do próprio município. “A possibilidade de isenção já vem sendo cogitada pelo Estado, mas ainda existem muitas informações desencontradas a respeito desses pedágios”, observou.

Presidente da Câmara de Mogi, vereador Francimário Vieira de Macedo – Farofa (Foto: CMMC)
A cobrança será feita pelo sistema free flow a partir de novembro, segundo informações divulgadas pela Concessionária Norte Litoral (CNL), vencedora da licitação do Lote Litoral, realizada pela Secretaria de Parcerias e Investimentos do Estado e pela Artesp, para investir os recursos em duplicação e melhorias em estradas litorâneas, como a Rio-Santos.
A população se mostra contrária e ações judiciais foram abertas para tentar barrar os pedágios. A Prefeitura também ajuizou processo, mas, até agora, o Governo do Estado mantém posição irredutível, apesar dos apelos da população e lideranças da cidade e Alto Tietê. É importante lembrar que, durante a campanha eleitoral de 2022, o governador Tarcísio de Freitas havia garantido que não implantaria pedágios nas vias da região.
A insatisfação cresce pelo fato de serem dois pedágios na Mogi-Dutra, em um trecho curto entre Mogi e Arujá, construído com recursos municipais e já duplicado, sem necessidade de obras que justifiquem a cobrança. A medida, segundo especialistas, deve trazer prejuízos à economia local e afetar principalmente moradores da Serra do Itapeti, que precisam acessar a Mogi-Dutra diariamente.
Inicialmente, a Câmara cogitou convidar representantes da CNL para explicações, mas Farofa defende que a articulação política com deputados e Governo do Estado pode ter mais efeito para pressionar pela isenção.
Na semana passada, os vereadores aprovaram por unanimidade uma moção de apelo ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e à concessionária, solicitando a isenção da tarifa para veículos emplacados nos municípios-sede e limítrofes às praças de pedágio.
O documento lembra que Mogi das Cruzes possui localização estratégica entre a capital paulista e o litoral, o que torna o uso diário das rodovias essencial para atividades profissionais e acadêmicas. Ressalta ainda que o município tem a maior frota do Alto Tietê, com 295.027 veículos, além de forte representatividade agrícola como Cinturão Verde do Estado, responsável pelo abastecimento de hortifrutis da Grande São Paulo.
Segundo a moção, o pedágio pode impactar diretamente o transporte de produtos até a CEAGESP, encarecendo os custos e prejudicando o consumidor. Também há preocupação com estudantes e trabalhadores que dependem das estradas para chegar a universidades e ao polo industrial local. “Assim, a imposição da tarifa pode prejudicar não somente a economia local, mas também a formação acadêmica e o desenvolvimento profissional dos moradores”, destaca o texto.
A moção conclui pedindo que o governador conceda isenção do pagamento do pedágio na modalidade free flow a moradores e trabalhadores permanentes de Mogi e cidades vizinhas.














