
O ex-prefeito de Mogi das Cruzes, Caio Cunha, voltou a usar as redes sociais para alegar que a Sociedade Paulista de Medicina Veterinária (SPMV) foi “pressionada” pela Prefeitura a deixar a gestão da Clínica Caramelo. O discurso soa, no mínimo, desconectado da realidade: a própria entidade pediu rescisão amigável do contrato, em comum acordo com a Administração Municipal, conforme confirmou à Vanguarda, por nota oficial, e, pior, ela estaria no centro de uma investigação do Ministério Público de São Paulo por suspeita de graves irregularidades em Guarulhos.
Segundo a Promotoria, que abriu procedimento após denúncia do deputado estadual Márcio Nakashima, há fortes indícios de autocontratação e conflito de interesses. O documento do MP diz que aproximadamente 50% dos pagamentos feitos à SPMV foram destinados a oito empresas ligadas a seus próprios dirigentes ou associados. Entre elas, a Televet Serviços Veterinários Ltda., de propriedade de Wilson Grassi Júnior, presidente da SPMV. Outros dirigentes — como Juliana Dalpicolo do Couto Rosa, Sérgio Luiz Martins da Rocha, Luiz Wilson de Oliveira Jr. e Marisa Calfa Espudaro — também aparecem simultaneamente como gestores da organização e sócios de empresas contratadas.
O Ministério Público ainda registrou falhas graves na execução contratual em Guarulhos, incluindo descumprimento de horários de atendimento, estrutura precária e má qualidade nos serviços prestados. A Prefeitura de Guarulhos cancelou o contrato com a organização social em julho deste ano.
Mesmo diante desse cenário, Caio Cunha preferiu posar de defensor da entidade, insinuando perseguição por parte da Prefeitura de Mogi. Ora, é difícil compreender tamanha disposição em defender uma organização sob investigação, enquanto os fatos apontam para problemas sérios que precisam ser apurados com rigor. O ex-prefeito, ao insistir nesse discurso, acaba se colocando contra a transparência e o interesse público.
Na prática, a atual gestão tomou outro rumo. A prefeita Mara Bertaiolli anunciou a criação do Hospital Médico-Veterinário 24 horas, que substituirá a Clínica Caramelo e ampliará os serviços gratuitos. O novo equipamento terá consultas, exames, internações, cirurgias em cinco níveis de complexidade, radiografias digitais, ultrassonografias, quimioterapia e atendimento prioritário a famílias de baixa renda, ONGs e protetores independentes.
SPMV diz que não é investigada
Contrariando documentos do próprio Ministério Público de Guarulhos, a SPMV nega que esteja sendo investigada. Ela diz que não foi citada, ainda. Veja a nota oficial encaminhada à nossa reportagem:
´A Sociedade Paulista de Medicina Veterinária (SPMV) esclarece, primeiramente, que o valor mencionado de R$ 44,8 milhões, atribuído ao contrato em Guarulhos, está incorreto. O valor correto pode ser verificado nas publicações oficiais no Diário Oficial do Município, à época da divulgação do edital de chamamento público.
Em segundo, ressaltamos ainda que a SPMV não está sendo investigada pelo Ministério Público de Guarulhos. Não há qualquer indício de conflito de interesses ou autocontratação em seus contratos`.
Sobre a rescisão de contrato com a Prefeitura de Mogi, a entidade alega consenso. ´A decisão pela rescisão da parceria com a Prefeitura de Mogi das Cruzes, ocorreu de maneira consensual, em razão da mudança na gestão da administração municipal, que optou por reavaliar os termos das parcerias existentes`.
´Por fim, desconhecemos qualquer denúncia referente aos serviços prestados pela SPMV, sendo que reafirmamos nosso compromisso com a ética, a transparência e a qualidade na prestação dos serviços públicos`, diz a entidade.














