
Silvia Chimello
O episódio envolvendo a discussão entre o vereador Felipe Lintz (PL) e a vereadora Inês Paz (PSOL), que foi ofendida por ele durante sessão da Câmara na última quarta-feira (10), é repudiado pela direção da Subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) em Mogi das Cruzes.
A entidade está organizando um protesto para a próxima terça-feira (16) contra o parlamentar, que chamou a colega de “analfabeta”. A crítica gerou indignação, sobretudo pelo histórico da vereadora como educadora da rede estadual, agora aposentada, e como representante sindical.

Vereador Felipe Lintz – Foto CMMC
A discussão ocorreu durante a votação de uma moção de repúdio apresentada por Lintz contra moradores em situação de rua, usuários e traficantes de drogas. O vereador afirmou que servidores da saúde teriam sido recebidos de forma agressiva e sugeriu acionar o secretário de Segurança para medidas mais contundentes da GCM. Inês Paz reagiu, acusando-o de querer fazer uma “faxina social”. Outros vereadores também se manifestaram contra a proposta, argumentando que a vulnerabilidade dessas pessoas explica o comportamento apontado.
Após as ofensas, Inês pediu retratação. Alguns parlamentares destacaram a falta de decoro de Lintz, e o presidente da Câmara, Francimário Vieira, o Farofa (PL), informou que o caso será analisado pela Comissão de Ética.
Diante da repercussão negativa no caso da ofensa proferida à vereadora, Lintz retirou a moção e publicou vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas à Inês. No entanto, criticou a imprensa por dar destaque a episódios negativos, em vez de divulgar ações do seu mandato.
Um dia antes, o vereador já havia provocado polêmica ao propor moção de repúdio – aprovada pela Casa – contra a apresentação do cantor Jhonny Hooker no Sesc, acusando-o de blasfêmia em uma fala tirada de contexto. Na ocasião houve bate-boca entre vereador e representantes da comunidade LGTB de Mogi, que acompanhavam os trabalhos na ocasião.
Repúdio
A Apeoesp fez uma publicação nas redes sociais manifestando “total apoio e solidariedade à vereadora Inês Paz, professora aposentada da rede pública, histórica defensora da educação, da democracia e dos direitos humanos, vítima de um grave episódio de violência política de gênero”. Para a entidade, “ao desqualificar uma professora, ele não agride apenas Inês Paz, mas simbolicamente ataca toda a categoria de professores”. Representantes do Sindicato convocam a população, em especial a comunidade escolar, a comparecer à sessão da Câmara na terça-feira (16), às 15h, para manifestar apoio à parlamentar e dizer “não à violência política de gênero e à misoginia”.
Ética
A Câmara de Mogi informou em nota que a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar já iniciou a análise dos episódios das sessões de 9 e 10 de setembro. Presidida por Otto Rezende (PSD) e composta por Iduigues Martins (PT) e Vitor Emori (PL), a comissão terá acesso a áudios e imagens para verificar possível quebra de decoro. “Caso sejam identificados indícios de infração, poderão ser aplicadas sanções que vão desde advertência até cassação do mandato, conforme a gravidade da conduta e decisão do plenário”, diz o comunicado.
Veja a nota da Câmara na íntegra:
“A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes iniciará a análise dos episódios ocorridos nas sessões dos dias 9 e 10 de setembro, que registraram discussões envolvendo o vereador Felipe Lintz (PL) e outros parlamentares.
O presidente da Câmara, Francimário Vieira, o Farofa (PL), reafirmou que não será admitida qualquer conduta incompatível com o decoro parlamentar, independentemente da legenda partidária, e ressaltou a importância de uma atuação rigorosa do colegiado.
A comissão — presidida pelo vereador Otto Rezende (PSD) e composta por Iduigues Martins (PT) e Vitor Emori (PL) — terá acesso a áudios e imagens das sessões para verificar se houve quebra de decoro.
Caso sejam identificados indícios de infração, poderão ser aplicadas sanções que vão desde advertência até a cassação do mandato, conforme a gravidade da conduta e a decisão do plenário”.














