
Envolvido em investigações por corrupção, fraudes em licitações e contratos suspeitos em diferentes regiões do Brasil, o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) agora tenta, na Justiça, se manter presente no sistema de saúde de Mogi das Cruzes. Mesmo tendo sido inabilitado pela Prefeitura por não apresentar a documentação mínima exigida, a organização social ingressou com ação judicial para seguir no processo licitatório para gerir a UPA do Oropó.
No processo licitatório aberto pela Prefeitura no mês passado, a comissão responsável inabilitou o INTS por não entregar documentos obrigatórios, como a comprovação de equipamentos, instalações e estrutura mínima exigida para executar os serviços. O instituto, no entanto, acionou o Judiciário com um mandado de segurança, pedindo liminar para continuar participando da disputa — mas não conseguiu uma decisão provisória favorável, o que invalidou oficialmente sua participação no processo por não atender plenamente ao edital, apesar de dizer que cumpriu todos os requisitos.
Histórico de irregularidades: da Bahia ao Alto Tietê
A persistência da INTS em permanecer na licitação mogiana ocorre em um momento delicado para a entidade. Em junho de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação “Dia Zero”, que apontou um esquema milionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos com a Prefeitura de Salvador (BA) geridos pela própria INTS. O prejuízo estimado é de R$ 46 milhões, com indícios de sobrepreço, conluio em licitações e desvio de recursos públicos.
Na Região do Alto Tietê, a atuação do instituto também tem levantado questionamentos. Em Mogi das Cruzes, o contrato da UPA do Oropó, firmado em 2021 por cerca de R$ 41 milhões, passou por 12 aditamentos e hoje ultrapassa os R$ 78 milhões. Em Suzano, a INTS administra 18 unidades de saúde, além do Samu e do novo Pronto-Socorro, instalado no antigo prédio da Santa Casa. Por trás desses contratos, surgem denúncias de subcontratações de empresas ligadas a políticos locais.
Em nota oficial, a Prefeitura de Suzano esclarece que as investigações mencionadas não têm qualquer relação com a prestação de serviço do Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), que atua no município desde 2014.
A administração municipal informa que a Secretaria de Saúde já mantém, por meio de gestores e fiscais de contrato, uma rotina permanente de acompanhamento do cumprimento de todos os contratos firmados com esta organização social. O objetivo é sempre garantir a lisura e a execução total do que está estabelecido e a qualidade dos acolhimentos junto à população.
Enquanto isso, a direção do instituto mantém discurso de legalidade. Em nota oficial às imprensa, a entidade afirma que atua com ética, transparência e regularidade, e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos. Contudo, a tentativa frustrada de judicializar sua permanência em Mogi — mesmo com pendências técnicas — reforça uma narrativa de insistência em manter acesso a recursos públicos, independentemente do grau de conformidade.














