terça, 27 de janeiro de 2026 Anuncie
Vanguarda Alto Tietê
Fotos: Divulgação

Representatividade marca o 1º Festival da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha em Mogi

Por Maria Salas

Uma noite para homenagear personalidades negras em um ambiente que promete unir arte, cultura e reconhecimento. É o 1º Festival da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que a Prefeitura de Mogi das Cruzes, por meio das Secretarias Municipais da Mulher e de Cultura e em parceria com o Compir – Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, promove nesta quinta-feira (31), a partir das 19 horas, no Centro Municipal de Formação Pedagógica (Cemforpe), na Vila Nova Mogilar. O evento, que visa à valorização, representatividade e resistência, marca o ponto alto das comemorações pelo Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. O evento é gratuito.

A noite será marcada por homenagens a personalidades negras que se destacam em diferentes áreas. A Vanguarda apresenta algumas das atrações (leia mais abaixo).

“Mais que uma homenagem, essa data é um marco de denúncia e visibilidade. É um dia para reconhecer que o racismo, o sexismo e a desigualdade seguem atravessando de forma brutal as trajetórias das mulheres negras – e que a superação dessa realidade é urgente e coletiva”, ressalta a secretária da Mulher, Lívia Bolina.

Ela afirma que, em Mogi, vivem mais de 31 mil mulheres negras. Elas estão presentes em todos os espaços da cidade: nos bairros, nas escolas, nos postos de saúde, nos mercados, nas igrejas, nas repartições públicas e nos lares. “São elas que sustentam, com trabalho, afeto e coragem, as estruturas visíveis e invisíveis que mantêm a cidade em movimento. Mas, mesmo sendo tantas, muitas ainda enfrentam as mesmas barreiras de sempre: menores salários, menos acesso a cargos de chefia, mais exposição à violência doméstica e institucional, menor acesso à saúde integral, mais dificuldades no cuidado com seus filhos e famílias.”, destaca Lívia.

A secretária diz, ainda, que o 25 de julho, não é apenas uma data simbólica. “É um chamado à ação e à escuta, à reparação e à valorização de quem, mesmo à margem, sempre esteve no centro da luta.”, finaliza.

Confira algumas das atrações

Cleiton Costa

Cleiton Costa

 

O bailarino e coreógrafo Cleiton Costa, de 42 anos, vai apresentar uma coreografia inédita, desenvolvida especialmente para o evento. Com mais de 20 anos de atuação na região do Alto Tietê, Cleiton é reconhecido por seu trabalho com balé clássico, jazz, dança contemporânea e danças afro-brasileiras. Para esta apresentação, Cleiton criou um trabalho coreográfico em parceria com a Associação Beneficente Comunitária Santo Ângelo, envolvendo seis integrantes do grupo e um bailarino convidado, Ítalo Araújo.

“Este evento é muito importante para a Cidade. Estamos falando de pessoas e corpos que são invisibilizados na mídia e na sociedade. Ter um evento para celebrar a mulher negra, latina e caribenha é uma ação necessária -algo que precisamos celebrar, olhar e debater. Eventos como este já deveriam ter existido há muito mais tempo.”,
afirma o coreógrafo.

Luzia Santos de Menezes

 

Luzia Santos de Menezes

Luzia Santos de Menezes, de 46 anos, é mãe, avó, geógrafa e agente de combate a endemias na Secretaria de Saúde de Mogi das Cruzes. Ela irá apresentar o livro “As Diferenças que nos Separam”, lançado em 15 de março de 2024 com apoio da Lei Paulo Gustavo, sob coordenação de Paulo Pinhal. A obra aborda desigualdade social, inclusão e propostas de reparo de leis de forma simples e acessível.

Líder comunitária, do Conjunto Jefferson, e diretora social de uma escola de samba – o G.R.E.S Estação Primeira de Brás Cubas, Luzia traz em sua trajetória de vida histórias de superação e resiliência, que a motivaram a escrever e lutar contra a desigualdade racial e social. Para ela, o evento representa o compromisso da cidade com a valorização das mulheres negras e fortalecem ações concretas contra o racismo e a exclusão: “Este evento vai além de dar vez e voz à todas as mulheres. Ele mostra que a nossa cidade acolhedora é capaz de fomentar leis e eventos capazes de combater, e até erradicar, a desigualdade racial que ainda opera no meio de nossa sociedade.”.

Maristela Pinho da Silva

Maristela Pinho da Silva

Maristela Pinho da Silva, conhecida artisticamente como Maristela Afro, de 63 anos, é educadora, intérprete, artista plástica e uma das grandes vozes em defesa da valorização da mulher afro-brasileira. Nascida em Guarapuava (PR) e residente em Mogi das Cruzes “desde a infância”, ela construiu sua trajetória com dedicação à educação e à cultura negra.

Formada em Pedagogia pela Universidade Braz Cubas (UBC), com pós-graduação em Gestão Escolar e em História da África e do Negro no Brasil pela UniCastelo, além de cursos de capacitação em Educação Especial, atuou como professora da educação infantil na rede municipal de ensino de Mogi.

Mesmo com uma vida dedicada à formação de crianças e à valorização da identidade negra, Maristela conta que raramente recebeu homenagens ao longo da carreira – exceto por iniciativas da própria comunidade negra. É dificil ser homenageado em uma sociedade onde a invisibilidade da populaçao negra é evidente. Essa invisibilidade não significa que não eu não exista ou não esteja produzindo, mas sim que nossa história, cultura, contribuições e necessidades são frequentemente ignoradas ou negligenciadas. Receber essa homenagem eleva a nossa autoestima, me sinto muito honrada por esse reconhecimento como mulher, como profissional e na área da educação, onde todo o meu trabalho foi feito”.”, afirma.

No evento, sua participação será marcada pela interpretação, à capela, de duas canções eternizadas por Clara Nunes: “Mãe África”, que celebra a ancestralidade e herança africana, e “Canto das Três Raças”, que reflete sobre a história do Brasil e a resistência do povo negro.

Vanessa Roots, de 40 anos, é uma mulher negra, mãe dedicada e Dreadmaker com anos de experiência na arte dos dreadlocks. Aprendeu a fazer dreadlocks em 2003, mas atua, há dois anos, com afeto e técnica, conforme diz, transformando fios e histórias em dreads que carregam identidade e ancestralidade. Além dos atendimentos personalizados, é educadora. Ela oferece workshops e oficinas de reuso de fibras, ensinando a criar dreads de forma consciente e sustentável. Ela ensina a fazer dreadlocks, mesmo sabendo que ainda não existe um braço da estética que trate essa prática como profissionalizante. O aprendizado vem, principalmente, no modo familiar ou em grupos que compartilham saberes entre si.

Seu trabalho vai muito além da estética: é uma ponte de conexão com as raízes culturais, especialmente com a cultura Rastafari, que ela faz questão de compartilhar e valorizar. “A minha missão é transformar sonhos em dreads com propósito e cuidado.”, conta.

Ela acredita que, assim como a música reggae semeia amor e união para que todos os negros olhem para a África e não se esqueçam de onde vieram, eventos que ressaltam datas históricas são fundamentais. “Não apenas para as mulheres, mas para todos, pois é necessário lembrar diariamente da força feminina – para os outros e para nós mesmas.”, comenta.

Homenagem especial do Conselho Municipal de Proteção e Igualdade Racial

1. Lívia Bolina
2. Raquel Ribeiro
3. Mariza Moreira
4. Graciana Teixeira
5. Evelyn Pinheiro
6. Mari Mendes
7. Rose Nery
8. Maristela Afro
9. Dona Sidneya
10. Thaís Silva

 

 

 

 

Publicado em: 30 de julho de 2025

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