
Por Maria Salas
O presépio montado, a árvore iluminada e os símbolos do Natal ainda presentes nas casas ajudam a prolongar a alegria do nascimento de Cristo. Com o encerramento das celebrações de fim de ano, muitas famílias têm dúvidas sobre quando desmontar o presépio e a árvore de Natal. Segundo o padre Johnys Ferreira Dutra, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Santuário Diocesano, no Alto do Ipiranga, em Mogi das Cruzes, não há uma data fixa para isso, mas sim um período definido pela Igreja: o tempo litúrgico do Natal, que deve ser respeitado.
De acordo com o sacerdote, o Tempo do Natal tem início na noite do dia 24 de dezembro e se estende até a Festa do Batismo do Senhor, celebrada neste ano em 11 de janeiro. Somente após essa data é que o presépio e a árvore de Natal devem ser desmontados, sendo guardados até o próximo período natalino, quando voltam a ser montados. “Durante todo o Tempo do Natal, mantemos o presépio e a árvore para recordar que estamos vivenciando o nascimento de Jesus. Esse tempo nos convida a unirmos os nossos corações ao Coração de Cristo”, explica.
Padre Johnys também esclarece que o costume popular de desmontar os enfeites no dia 6 de janeiro, data tradicionalmente associada à Festa de Santos Reis, não está totalmente de acordo com o calendário litúrgico quando essa data não coincide com o domingo. “A Igreja transfere a Solenidade da Epifania do Senhor para o domingo mais próximo, porque ela celebra a manifestação de Cristo como luz do mundo para todas as nações. Por isso surgiu esse costume, passado de geração em geração, mas o Tempo do Natal ainda não terminou no dia 6”, afirma.
Ele destaca ainda a diferença entre prática litúrgica e prática cultural. “A liturgia nos conduz a vivenciar o mistério da fé dentro da celebração. Já a prática cultural vai sendo transmitida e, muitas vezes, adaptada pelas famílias e comunidades, como acontece, por exemplo, com a Folia de Reis, que também é uma expressão viva da fé”, completa.
Sobre o momento ideal para montar o presépio e a árvore, o padre explica que isso deve acontecer antes do Tempo do Advento, período de preparação para o Natal vivido pela Igreja. “O Advento começa quatro domingos antes do Natal. Em 2026, o primeiro domingo do Advento será no dia 29 de novembro, portanto o dia mais apropriado para montar o presépio e a árvore será 28 de novembro”, orienta.
Calendário litúrgico
Ao abordar o calendário litúrgico, padre Johnys destaca que ele é composto, em sua maioria, por datas móveis, definidas a partir da Páscoa, com exceção do Natal, celebrado sempre em 25 de dezembro. Após o Tempo do Natal, a Igreja entra em um novo ciclo de celebrações que marcam os principais mistérios da fé cristã, reunindo datas e solenidades que conduzem os fiéis ao longo do ano litúrgico (veja as principais datas abaixo).
Para o sacerdote, conhecer o calendário litúrgico vai muito além de decorar datas.
“Cada celebração é um convite para mergulharmos no mistério de Cristo. Quando conhecemos o calendário litúrgico, deixamos de ser meros espectadores e passamos a viver a fé por amor”, destaca, citando São João: ‘Só podemos conhecer aquilo que amamos e amar aquilo que conhecemos’.
Celebrações
Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma (tempo forte de conversão, marcado pela penitência, jejum, oração e prática da caridade)
19 de março – Solenidade de São José
25 de março – Anunciação do Senhor
Sexta-feira Santa – Paixão do Senhor
Domingo de Páscoa – Ressurreição de Jesus Cristo
Pentecostes – 50 dias após a Páscoa, celebra o envio do Espírito Santo
Ascensão do Senhor
Corpus Christi – Corpo e Sangue de Cristo
Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Solenidades marianas, como Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro) e Nossa Senhora de Fátima (13 de maio)
Cristo Rei do Universo, celebrada no último domingo do Tempo Comum














